"Se o ensino é superior, a pessoa que o abraça é digna de respeito. Assim sendo, desprezar essa pessoa é o mesmo que desprezar o próprio ensino. Isto é comparável a atitude de censurar uma criança, cujo ato é ao mesmo tempo uma censura aos pais. "
( Nitiren Daishonin )

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sábado, 18 de agosto de 2012

Pequena Biografia de Astrid Cabral

 ASTRID CABRAL Félix de Sousa nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Diplomou-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ. Em 1968 ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute. Com a anistia, em 1988 foi  reintegrada à UnB. Com a aposentadoria desde 1996 passou a dedicar-se exclusivamente à literatura e à família. Colabora em jornais e revistas especializadas. Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, é mãe de cinco filhos.

 

Publicou, entre outros, os livros: Alameda (contos), 1963, 2 ed., 1998; Ponto de cruz (poesia), 1979; Toma-viagem (poesia), 1981; Lição de Alíce (poesia), 1986; Visgo da terra (poesia), 1986; Rês desgarrada (poesia), 1994; De déu em déu (poesia) [reunião de 5 livros], 1998; Intramuros, 1998; Rasos d´água, 2003. Prêmio Olavo Bilac, de Poesia, da Academia Brasileira de Letras, e vários prêmios da UBE- RJ. Membro do PEN Clube do Brasil.

Marcinh♥

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A aventura dos crótons de Astrid Cabral

A aventura dos crótons
Cresciam os crótons sob o sol cru, vermelhos como cristais. Maio era vindouro, prometendo amenidades e um céu varrido. Por enquanto o mormaço invadia os muros e desafiava as sombras, densas sob a copa das altas mangueiras, mas não de arbustos como os crótons. Deliciavam-se, porém, com o calor e a luz, tão rosados e brilhantes os tornava o sol, as folhas recortadas em cetim de fortes tons.
Longe, na baixada, espalhavam-se os povoados, onde poucas eram as árvores e muitas casas. Numerosos, difusos, os caminhos, as trilhas cobertas de mato que conduziam até lá. Mas bem sabiam os crótons que não era dado palmilhá-los, e o dom que tinham era da contemplação íntima que se fluía morosamente a distância. Assim quedavam-se frustrados e serenos por tardes intermináveis, quando não tomados por súbita inquietude, debatiam-se em acenos langues. Para que se agitassem, bastava que o vento lhe trouxesse recados da várzea, outros cheiros e rumores. Sonhavam então romarias pela íngreme perambeira, seus trechos entrançados de urtigas ferozes, claros de terra fofa e barrenta. A vertigem da descida compensaria o cansaço  inevitável, os agulhões das pedras e dos gravetos. Imaginavam até gentilezas especialíssimas. As urtigas encolheriam as nocivas mãos. Tampouco seriam molestados pelo gruda-gruda dos carrapichos. Quem sabe a galharia abriria alas para a comitiva passar? Ou algum calango ocioso os guiaria ao acaso sem suspeitar disso?
Talvez levassem os crótons meninos, os pequenos de dois palmos. Seria impossível deixa-los sem proteção de suas sombras adultas. E anteviam-se, ladeira abaixo em vista à cidade, onde havia minúsculos jardins de crótons anões. Eles tinham à volta um cercado de tijolos, disfarçado sob o limo, e em canteiros estreitos de terra escassa, pareciam prisioneiros. Ah humilhação, pensavam os crótons altivos, de porte desempenado e vigorosos tendões, gerados e nutridos no chão livre dos campos. Ali se expandiam desenfreados, sem a coleira dos canteiros e o suplício das podas. Valeria descer àquela terra exígua onde os homens haviam usurpado o chão que lhes pertencia por direito de herança e mora? Não seriam os jardins pequenos cativeiros em que as plantas medravam o susto, contidas pelo medo de encobrir uma janela, invadir a casa galgando o telhado, encarapitando-se pelo corrimão de alguma escadaria? A audácia no caso era pouco eficaz, pois toda luta importava em derrota. A tenacidade do jardineiro zelava pela dócil submissão de todos: que a buganvília não se alcançasse além da janela e tão-somente beirasse o parapeito, que a trepadeira de maracujá ficasse onde estava, sem incursões pelo terreno vizinho, que os crótons se contentassem em um metro de altura e não se vergassem as samambaias sobre as lajes da passagem. Fora dessa disciplina, era o que observavam a cavaleiro de baixada, apenas as casa abandonadas. Nelas reconstruíam as plantas o império subjugado, o verde à brida solta com salpicos e manchas de todas as cores. E adeus geometria torta que se espartilhava, falsa ordem dos jardins traçados em prévios mapas. Se a terra fosse inerte como um papel aberto, e a vegetação não passasse de riscos de lápis?
Projetavam os crótons, descendo à várzea, hospedar-se na casa vazia da esquina fronteira, exatamente aquela que as heras haviam pintados de verde. Ali ficariam à vontade, como na sem-cerimônia em que viviam, a natureza tudo provendo, o humo virgem, a chuva farta, o sol a descoberto. O quintal, vasto, os receberia sem dizer: - “Lugar de plantas decorativas é no jardim”. Ou vamos lá: - “ Que fruta dão vocês?” Pois não tinha sido os homens     a dividir a terra de modo arbitrário, aplicando a sua lógica  a todos os seres?
A casa abandonada chamava por eles, assim entendiam as borboletas que vinham de lá, bailando pelas distancias intermédias. Tê-las sobre as folhas era a alegria incompleta de não segui-las na viagem de regresso. A ânsia lhes sacudia a alma, não os membros, raízes que se deitavam com o peso de âncoras.
Na ventania conversavam os crótons alvoroçados sua linguagem de mímicas sutis. Ah se o vento os pegasse na garupa! Era tão perto e ao mesmo tempo tão longe! Ah, ali mesmo se finariam, sem descer a várzea...
Tantos gemeram, tantos desabafos lançaram que a natureza provedora escancarou os cântaros armazenados atrás de balcões de nuvens. A água, cavoucando o chão dias seguidos, desenterrou-lhe as raízes mais fundas, libertando-os para o deslize na correnteza da enxurrada. Escorregaram então barranco abaixo, tocados por águas turvas, às cambalhotas e encalhos na lama visguenta. Rasgavam-se nas pedras, enganchavam-se nas ramagens secas do declive, mas desciam e o plano logo se espraiou aos seus pés. Um pouco mais, a correr com o impulso emprestado daquele rio efêmero, e ei-los à casa da esquina. Oh quão imensa e diferente lhes parecia agora, diverso o ângulo que jaziam, deitados a seu portão, a fadiga amarrotando o corpo castigado. O portão erguia-se alto, firme, pesado. Era de ferro liso, sem requintes, sem rendados. E bastava ele, imóvel em suas dobradiças de ferrugem, para proibir-lhes  o acesso ao paraíso a que se endereçavam num arroubo de vida.
Ao amainar da chuva e ressurgir do sol, o amplo horizonte acenava-lhes em despedida sobre o morro.                    

Autora: Astrid Cabral. Texto extraído de Antologia do conto do Amazonas. p. 203. 



Marcinh♥

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A vida é um eterno amanhã de João Ubaldo Ribeiro

Texto: A vida é um eterno amanhã de João Ubaldo Ribeiro Extraído do livro Um brasileiro em Berlim, 1995.

As traduções são mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções, expressões idiomáticas, palavras de gírias, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isto dá para se resolvido de uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do tradutor. Refiro-me à possibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem hesitação que a palavra portuguesa “amanhã” que dizer “morgen”. Mas coitado do alemão eu vá para o Brasil acreditado que, quando um brasileiro diz “amanhã”, está realmente querendo dizer “morgen”. Raramente está. “Amanhã” é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume seria dedicado a ela e outras, que partilham da mesma condição.
“Amanhã” significa, entre outras coisas, “nunca”, “talvez”, “vou pensar”, “vou desaparecer”, “procure outro”, “não quero”, “no próximo ano”, “assim que eu precisar”, “um dia destes”, “vamos mudar de assunto”, etc. e, em casos excepcionalíssimos, “amanhã” mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a  habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mais tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de “amanhãs” casuais que o levam, no mínimo,  a um colapso nervoso, apara grande espanto de seus amigos brasileiros – esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá.
A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos ver admitir alimentam um numero excessivo de certezas sobre esta vida incerta, úmero quase tão grande como a quantidade exasperante de preposições que enfrentam sua língua ( estou estudando “auf” e “au” no momento, e não estou entendendo nada). São o contrario dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor ideia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.
Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o principio da identidade e outros assuntos dos quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis em que mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos de faculdade. No plano pratico, contudo, a coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza – e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas no horário previsto, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia Wehrmacht com batucadas nos momentos mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.
Falo por experiência própria. Whe in Rome do as the romans, ditado que deve ter uma versão latina mais chique, mas, infelizmente, não disponho aqui de meus livros de citações, para dar impressão aos leitores de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual condição de berlinense, tanto por tarje ou por maneiras, dos outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.

Fica tudo, porem, muito difícil em certas ocasiões, como hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra  no dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20h30. Sei que é difícil para um alemão compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como alguém pode marcar uma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a minha mulher.
- Mulher – disse eu, depois de pedir que o telefonador esperasse um bocadinho. – Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20h30.
- Você está maluco? – disse ela. – Quem é que pode responder a esse tipo de pergunta?
- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.
- Diga a ele que você responde amanhã.
- E quando ele telefonar amanhã? Ele é alemão, ele vai telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.
- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.
Achei uma ideia interessante, mas não a usei, apenas disse que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?
- Ora – respondeu ela, retribuindo a cotovelada -, pergunte  a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se for berlinense, pergunte se ele não preferia deixa-la para amanhã.
- Touché – disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cebeça e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.








Marcinh♥

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Indo às compras

Uma coisa que mais me emociona, além de ler, é comprar livros. E quando eu vou à livraria, pense numa pessoa que fica doida!! Se disse `"Eu", vc acertou em cheio!! É isso mesmo eu fico lokinha, lokinha. Inda mais se for na Saraiva. Aquela mesmo, que tem no Shopping Manaura. Nossa quando eu entro ali, tenho vontade de não sair mais de lá. Coitado do meu cartão de credito e, quando ele falha, tem o do meu marido!!! Coitado dele!! Enfim toda essa falação é só pra dizer que adiquir novos livros.
Os titulos não são nenhuma surpresa. São na realidade titulos que muitos já leram, mas eu ainda não. Portanto nenhuma novidade.

1- A menina que roubava livros - Markus Zusac Editora Intrinseca.

Sinopse
A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.



2 A menina que não sabia ler- John Hardin - Editora Leya


1891. Nova Inglaterra. Em uma distante e escura mansão, onde nada é o que parece, a pequena Florence é negligenciada pelo seu tutor e tio. Guardada como um brinquedo, a menina passa seus dias perambulando pelos corredores e inventando histórias que conta a si mesma, em uma rotina tediosa e desinteressante. Até que um dia Florence encontra a biblioteca proibida da mansão. E passa a devorar os livros em segredo. Mas existem mistérios naquela casa que jamais deveriam ser revelados. Quem eram seus pais? Por que Florence sonha sempre com uma misteriosa mulher ameaçando Giles, seu irmão caçula? O que esconde a Srta. Taylor? E por que o tio a proibiu de ler? Florence precisa reunir todas as pistas possíveis e encontrar respostas que ajudem a defender seu irmão e preservar sua paixão secreta pelos livros - únicos companheiros e confidentes - antes que alguém descubra quem ousou abrir as portas do mundo literário. Ou será que tudo isso não seria somente delírios de uma jovem com muita imaginação?


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Minha EX-professora lança seu livro "Contos de Sagração"



A Livraria e Editora Valer têm a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do livro Contos de Sagração, de Nicia Petreceli Zucolo, que acontecerá dia 29 de fevereiro, às 19h, no Espaço Cultural da Livraria Valer, situado na Rua Ramos Ferreira, 1195 – Centro.

Contos de Sagração: Benjamin Sanches e a experimentação estético-formal, de Nicia Petreceli Zucolo, surge após quatro décadas do lançamento de O outro e outros contos (1963), oferecendo a oportunidade de ter uma obra crítica que alia acuidade e detalhamento no trato do único livro da prosa de Benjamin Sanches.
O estudo que Antonio Paulo Graça escreveu como introdução à segunda edição de O outro e outros contos, em 1998, lança bases importantes para quaisquer estudos posteriores acerca dos contos de Sanches, algumas das quais Nicia Zucolo retoma e aprofunda. Destas, a mais importante, porque nela a autora rearranja o foco, talvez seja a representação da loucura. Enquanto Paulo Graça entende essa representação concentrada na imanência do texto, num campo de ação entre narrador e personagens, a autora redimensiona o problema associando àquela textualidade questões de recepção, estas de inegável importância para a compreensão de uma escrita tão provocadora como é a de Benjamin Sanches.
Inicialmente, a autora faz um apurado trabalho de mineração naquilo que podemos chamar de camadas poéticas dos contos de Sanches. Publicado em 1963, O outro e outros contos leva para prosa os ganhos obtidos a partir do Concretismo. Nicia soube explorar muito bem esse viés da escrita do autor, pormenorizando os elementos e os processos da criação literária de Sanches. Sendo a palavra e seus arranjos a própria estampa do autor, Benjamin Sanches, por suas peculiares práticas formais e estéticas, mereceu da autora uma meticulosa análise daquilo que é mais patente, sem deixar de ser complexo – a forma, que, observada em sua complexidade, deve agora ser entendida como Poética.
Nicia Zucolo demonstra ter consciência de que se viviam novos tempos e paradigmas literários quando da publicação de O outro e outros contos. A maneira de fazer essa consciência tomar forma no interior do estudo é mais claramente perceptível na segunda metade do trabalho, quando a autora analisa com vagar seis contos do livro. Nesse passo, o texto de Nicia Zucolo, com o mais elevado apuro crítico, demonstra como, num contexto em que o experimentalismo literário começava a ser praticado das mais diversas e ocas maneiras, a prosa de Benjamin Sanches equilibra perfeitamente forma e conteúdo, a partir de algo que podemos chamar de uma personalidade literária singularíssima.
O professor e escritor Marcos Frederico Krüger, autor do livro Amazônia – mito e literatura, ao longo de sua atuação como professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas, procurou construir, através dos alunos que orientou, uma bibliografia crítica sobre a literatura produzida no Amazonas. A intenção era a de suprir a carência de estudos efetivos e profundos sobre os escritores da região, estudos que ultrapassassem as meras súmulas biobibliográficas. Fruto disto é o trabalho que Nicia Zucolo apresenta sobre o mais enigmático contista do Clube da Madrugada, Benjamin Sanches, que escreveu fazendo experiências com a arte narrativa.
A dificuldade de penetrar na ficção criada por Sanches está parcialmente sanada com esta obra de Nicia Petreceli Zucolo. Isso significa dizer que a pesquisadora realizou um excelente trabalho de exegese, que conseguiu responder a alguns dos enigmas que a esfinge Benjamin propõe aos leitores. Detendo-se sobre o estudo de seis contos do autor, ela conseguiu dar uma efetiva contribuição aos estudos literários. Agora, quem quiser falar sobre Benjamin Sanches não poderá deixar de recorrer ao texto de Contos de Sagração.
No estudo dos contos selecionados, nos quais Nicia, com grande sutileza crítica, percebeu uma unidade, observam-se, além das propostas interpretativas, os cortes verticais e profundos sobre a experimentação formal e estética, bem como as relações com o contexto da época. Seu objetivo é claro: dada a grandeza da ficção do autor que estudou, demonstrada através de incisiva argumentação, considera injusta a sua não inclusão no rol dos grandes escritores brasileiros.

Sobre a autora
Nicia Petreceli Zucolo, radicada no Amazonas desde 1997, é graduada em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria (1995), e mestre pelo programa Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (2005), com dissertação sobre O outro e outros contos. É professora de Literatura na UFAM. Atualmente, cursa o doutorado em Literatura Portuguesa, na Universidade de São Paulo (USP), com bolsa concedida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

Evento: lançamento do livro Contos de Sagração
Autora: Nicia Petreceli Zucolo
Editora: Valer
Páginas: 160
Valor: R$ 25,00
Data: 29 de fevereiro de 2012
Horário: 19h
Local: Livraria Valer (Rua Ramos Ferreira, 1195 – Centro)
Contatos: Valer: (92) 3635-1245


Marcinh♥

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Meu primeiro livro de fevereiro

título: A Cobiçada Lady Lindsey (Love and Kisses) - Barbara Cartland
título original: Love and Kisses
autor: Barbara Cartland
gênero: Romance
ano de lançamento: 1987
Nº de páginas: 57

        Ao procurar algumas leituras para fevereiro, o qual o tema é: Nomes Próprios, encontrei este que mas parece um livro de banca. Sabe aqueles de leitura açucara onde a mocinha é uma Mocinha, com M maiusculo e, o heroi é aquele homem que povoa nossos sonhos. #Até mesmo das mais céticas.

        Este romance de fato é assim. A cobiçada Lady Lindsey narra a historia de uma jovem de 19 anos, que ao ver-se desamparada pela morte de seu pai. Sozinha no mundo e falida, trama juntamente com seu primo, o garboso Harry. Assim como ela, seu primo era pobre, mas por ser tão carismatico, sem falar bonito e arrasador de corações femininos, frequentava as melhores casas de Londres. E assim começam suas aventuras para conquistas um rico marido que sustentará Lady Lindey e seu primo. O que eles não esperavam era que o menos improvável acontecesse: se apaixonar um pelo outro e ver seus planos irem por agua abaixo. Para saber mais destra trama leia o romance de Barbara Cartland.
Marcinh♥