"Se o ensino é superior, a pessoa que o abraça é digna de respeito. Assim sendo, desprezar essa pessoa é o mesmo que desprezar o próprio ensino. Isto é comparável a atitude de censurar uma criança, cujo ato é ao mesmo tempo uma censura aos pais. "
( Nitiren Daishonin )

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domingo, 19 de agosto de 2012

1º livro de Agosto - Silence

                                           Silence

Sinopse: As interferências entre Patch e Nora não existem mais. Eles superaram os segredos escondidos no passado sombrio de Patch... uniram dois mundos irreconciliáveis... encararam testes de traição, lealdade e confiança que partiriam um coração... e tudo por um amor que transcende a fronteira entre o céu e a terra. Armados com nada além de sua fé absoluta um no outro, Patch e Nora entram numa luta desesperada para impedir um vilão que detém o poder de destruir tudo pelo qual eles trabalharam – e seu amor – para sempre.

A série é composta por:
1. Hush, Hush (já traduzido pela comu)
2. Crescendo (já traduzido pela comu)
3. Silence  
4. Finale tur ( previsto para ser o último livro da série, lançamento em 23 de out de 2012) 
Vamos aguardar

Ficha de Leitura
Tema: TERROR
Mês: AGOSTO

Um pouco sobre o mim
Eu sou o (a): MÁRCIA PEREIRA

Moro em :MANAUS, AM

Na net, você me encontra : marciamsp@facebook.com/

Neste mês, eu li:
Título: SILENCE

Autor do livro: BECCA FIZTPATRICK
   
Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 304

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...

A REPRESENTAÇÃO DA CAPA DE AMBAS AS PERSONAGENS À BEIRA DE UM ABISMO, PODE REPRESENTAR   TANTAS COISAS INCLUINDO UM CAMINHO SEM VOLTA DO AMOR ENTRE UMA HUMANA E UM SER IMORTAL. A IMAGEM DOS DOIS DE COSTA, SEM NOS REVELAR O ROSTO TRANSPORTA O LEITOR A CRIAR SUA PRÓPRIA IDEIA DE COMO SÃO, SOMENTE REVELADA EM FINALE.

O livro é sobre...

O TERCEIRO LIVRO DA SÉRIE HUSH, HUSH. A CONTINUAÇÃO DAS AVENTURAS VIVIDAS ENTRE NORA E SEU LINDO E ANJO NAMORADO - PATH.       



Eu escolhi este livro porque...

        PRIMEIRO PQ TINHA QUE CONTINUAR O Q COMECEI. SEGUNDO PQ ADORO LIVROS EM SÉRIE. TERCEIRO PQ É APAIXONANTE E NÃO PODIA DEIXAR DE LÊ-LO.


A leitura foi...

A ÚNICA PALAVRA PARA DEFINIR É: LOUCA. PASSEI QUASE DOIS DIAS SEM DORMIR!! POR QUE ESTA NARRATIVA É EXTREMAMENTE EMPOLGANTE.
   

O personagem que eu gostaria de SER  é NORA. Por quê?

 TODA GAROTA SONHA EM UM DIA ENCONTRAR UM AMOR ARREBATADOR. NO LIVRO EM QUESTÃO JUNTO COM ESTE AMOR VEM OBSTACULOS E PROVAÇÕES QUE PÕEM EM PROVA A FIRMEZA DESTE AMOR. O QUE NA VIDA REAL NÃO DEIXA DE SER DIFERENTE, SEM NO ENTANTO O AMBIENTE FANTASIOSO DO LIVRO.  


O trecho do livro que merece destaque:

Capitulo 21
MEUS OLHOS SE ABRIRAM E O QUARTO tomou forma. As luzes estavam apagadas.
O ar estava fresco. O tecido mais luxuoso e delicioso acariciou minha
pele.
A memória de ontem à noite voltou para mim num redemoinho. Patch e eu
tínhamos feito ....

A nota que eu dou para o livro:
           5-  Adorei) 
   
Marcinh♥

sábado, 18 de agosto de 2012

Pequena Biografia de Astrid Cabral

 ASTRID CABRAL Félix de Sousa nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Diplomou-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ. Em 1968 ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute. Com a anistia, em 1988 foi  reintegrada à UnB. Com a aposentadoria desde 1996 passou a dedicar-se exclusivamente à literatura e à família. Colabora em jornais e revistas especializadas. Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, é mãe de cinco filhos.

 

Publicou, entre outros, os livros: Alameda (contos), 1963, 2 ed., 1998; Ponto de cruz (poesia), 1979; Toma-viagem (poesia), 1981; Lição de Alíce (poesia), 1986; Visgo da terra (poesia), 1986; Rês desgarrada (poesia), 1994; De déu em déu (poesia) [reunião de 5 livros], 1998; Intramuros, 1998; Rasos d´água, 2003. Prêmio Olavo Bilac, de Poesia, da Academia Brasileira de Letras, e vários prêmios da UBE- RJ. Membro do PEN Clube do Brasil.

Marcinh♥

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A aventura dos crótons de Astrid Cabral

A aventura dos crótons
Cresciam os crótons sob o sol cru, vermelhos como cristais. Maio era vindouro, prometendo amenidades e um céu varrido. Por enquanto o mormaço invadia os muros e desafiava as sombras, densas sob a copa das altas mangueiras, mas não de arbustos como os crótons. Deliciavam-se, porém, com o calor e a luz, tão rosados e brilhantes os tornava o sol, as folhas recortadas em cetim de fortes tons.
Longe, na baixada, espalhavam-se os povoados, onde poucas eram as árvores e muitas casas. Numerosos, difusos, os caminhos, as trilhas cobertas de mato que conduziam até lá. Mas bem sabiam os crótons que não era dado palmilhá-los, e o dom que tinham era da contemplação íntima que se fluía morosamente a distância. Assim quedavam-se frustrados e serenos por tardes intermináveis, quando não tomados por súbita inquietude, debatiam-se em acenos langues. Para que se agitassem, bastava que o vento lhe trouxesse recados da várzea, outros cheiros e rumores. Sonhavam então romarias pela íngreme perambeira, seus trechos entrançados de urtigas ferozes, claros de terra fofa e barrenta. A vertigem da descida compensaria o cansaço  inevitável, os agulhões das pedras e dos gravetos. Imaginavam até gentilezas especialíssimas. As urtigas encolheriam as nocivas mãos. Tampouco seriam molestados pelo gruda-gruda dos carrapichos. Quem sabe a galharia abriria alas para a comitiva passar? Ou algum calango ocioso os guiaria ao acaso sem suspeitar disso?
Talvez levassem os crótons meninos, os pequenos de dois palmos. Seria impossível deixa-los sem proteção de suas sombras adultas. E anteviam-se, ladeira abaixo em vista à cidade, onde havia minúsculos jardins de crótons anões. Eles tinham à volta um cercado de tijolos, disfarçado sob o limo, e em canteiros estreitos de terra escassa, pareciam prisioneiros. Ah humilhação, pensavam os crótons altivos, de porte desempenado e vigorosos tendões, gerados e nutridos no chão livre dos campos. Ali se expandiam desenfreados, sem a coleira dos canteiros e o suplício das podas. Valeria descer àquela terra exígua onde os homens haviam usurpado o chão que lhes pertencia por direito de herança e mora? Não seriam os jardins pequenos cativeiros em que as plantas medravam o susto, contidas pelo medo de encobrir uma janela, invadir a casa galgando o telhado, encarapitando-se pelo corrimão de alguma escadaria? A audácia no caso era pouco eficaz, pois toda luta importava em derrota. A tenacidade do jardineiro zelava pela dócil submissão de todos: que a buganvília não se alcançasse além da janela e tão-somente beirasse o parapeito, que a trepadeira de maracujá ficasse onde estava, sem incursões pelo terreno vizinho, que os crótons se contentassem em um metro de altura e não se vergassem as samambaias sobre as lajes da passagem. Fora dessa disciplina, era o que observavam a cavaleiro de baixada, apenas as casa abandonadas. Nelas reconstruíam as plantas o império subjugado, o verde à brida solta com salpicos e manchas de todas as cores. E adeus geometria torta que se espartilhava, falsa ordem dos jardins traçados em prévios mapas. Se a terra fosse inerte como um papel aberto, e a vegetação não passasse de riscos de lápis?
Projetavam os crótons, descendo à várzea, hospedar-se na casa vazia da esquina fronteira, exatamente aquela que as heras haviam pintados de verde. Ali ficariam à vontade, como na sem-cerimônia em que viviam, a natureza tudo provendo, o humo virgem, a chuva farta, o sol a descoberto. O quintal, vasto, os receberia sem dizer: - “Lugar de plantas decorativas é no jardim”. Ou vamos lá: - “ Que fruta dão vocês?” Pois não tinha sido os homens     a dividir a terra de modo arbitrário, aplicando a sua lógica  a todos os seres?
A casa abandonada chamava por eles, assim entendiam as borboletas que vinham de lá, bailando pelas distancias intermédias. Tê-las sobre as folhas era a alegria incompleta de não segui-las na viagem de regresso. A ânsia lhes sacudia a alma, não os membros, raízes que se deitavam com o peso de âncoras.
Na ventania conversavam os crótons alvoroçados sua linguagem de mímicas sutis. Ah se o vento os pegasse na garupa! Era tão perto e ao mesmo tempo tão longe! Ah, ali mesmo se finariam, sem descer a várzea...
Tantos gemeram, tantos desabafos lançaram que a natureza provedora escancarou os cântaros armazenados atrás de balcões de nuvens. A água, cavoucando o chão dias seguidos, desenterrou-lhe as raízes mais fundas, libertando-os para o deslize na correnteza da enxurrada. Escorregaram então barranco abaixo, tocados por águas turvas, às cambalhotas e encalhos na lama visguenta. Rasgavam-se nas pedras, enganchavam-se nas ramagens secas do declive, mas desciam e o plano logo se espraiou aos seus pés. Um pouco mais, a correr com o impulso emprestado daquele rio efêmero, e ei-los à casa da esquina. Oh quão imensa e diferente lhes parecia agora, diverso o ângulo que jaziam, deitados a seu portão, a fadiga amarrotando o corpo castigado. O portão erguia-se alto, firme, pesado. Era de ferro liso, sem requintes, sem rendados. E bastava ele, imóvel em suas dobradiças de ferrugem, para proibir-lhes  o acesso ao paraíso a que se endereçavam num arroubo de vida.
Ao amainar da chuva e ressurgir do sol, o amplo horizonte acenava-lhes em despedida sobre o morro.                    

Autora: Astrid Cabral. Texto extraído de Antologia do conto do Amazonas. p. 203. 



Marcinh♥

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A vida é um eterno amanhã de João Ubaldo Ribeiro

Texto: A vida é um eterno amanhã de João Ubaldo Ribeiro Extraído do livro Um brasileiro em Berlim, 1995.

As traduções são mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções, expressões idiomáticas, palavras de gírias, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isto dá para se resolvido de uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do tradutor. Refiro-me à possibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem hesitação que a palavra portuguesa “amanhã” que dizer “morgen”. Mas coitado do alemão eu vá para o Brasil acreditado que, quando um brasileiro diz “amanhã”, está realmente querendo dizer “morgen”. Raramente está. “Amanhã” é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume seria dedicado a ela e outras, que partilham da mesma condição.
“Amanhã” significa, entre outras coisas, “nunca”, “talvez”, “vou pensar”, “vou desaparecer”, “procure outro”, “não quero”, “no próximo ano”, “assim que eu precisar”, “um dia destes”, “vamos mudar de assunto”, etc. e, em casos excepcionalíssimos, “amanhã” mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a  habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mais tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de “amanhãs” casuais que o levam, no mínimo,  a um colapso nervoso, apara grande espanto de seus amigos brasileiros – esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá.
A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos ver admitir alimentam um numero excessivo de certezas sobre esta vida incerta, úmero quase tão grande como a quantidade exasperante de preposições que enfrentam sua língua ( estou estudando “auf” e “au” no momento, e não estou entendendo nada). São o contrario dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor ideia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.
Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o principio da identidade e outros assuntos dos quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis em que mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos de faculdade. No plano pratico, contudo, a coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza – e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas no horário previsto, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia Wehrmacht com batucadas nos momentos mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.
Falo por experiência própria. Whe in Rome do as the romans, ditado que deve ter uma versão latina mais chique, mas, infelizmente, não disponho aqui de meus livros de citações, para dar impressão aos leitores de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual condição de berlinense, tanto por tarje ou por maneiras, dos outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.

Fica tudo, porem, muito difícil em certas ocasiões, como hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra  no dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20h30. Sei que é difícil para um alemão compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como alguém pode marcar uma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a minha mulher.
- Mulher – disse eu, depois de pedir que o telefonador esperasse um bocadinho. – Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20h30.
- Você está maluco? – disse ela. – Quem é que pode responder a esse tipo de pergunta?
- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.
- Diga a ele que você responde amanhã.
- E quando ele telefonar amanhã? Ele é alemão, ele vai telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.
- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.
Achei uma ideia interessante, mas não a usei, apenas disse que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?
- Ora – respondeu ela, retribuindo a cotovelada -, pergunte  a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se for berlinense, pergunte se ele não preferia deixa-la para amanhã.
- Touché – disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cebeça e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.








Marcinh♥

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Indo às compras

Uma coisa que mais me emociona, além de ler, é comprar livros. E quando eu vou à livraria, pense numa pessoa que fica doida!! Se disse `"Eu", vc acertou em cheio!! É isso mesmo eu fico lokinha, lokinha. Inda mais se for na Saraiva. Aquela mesmo, que tem no Shopping Manaura. Nossa quando eu entro ali, tenho vontade de não sair mais de lá. Coitado do meu cartão de credito e, quando ele falha, tem o do meu marido!!! Coitado dele!! Enfim toda essa falação é só pra dizer que adiquir novos livros.
Os titulos não são nenhuma surpresa. São na realidade titulos que muitos já leram, mas eu ainda não. Portanto nenhuma novidade.

1- A menina que roubava livros - Markus Zusac Editora Intrinseca.

Sinopse
A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.



2 A menina que não sabia ler- John Hardin - Editora Leya


1891. Nova Inglaterra. Em uma distante e escura mansão, onde nada é o que parece, a pequena Florence é negligenciada pelo seu tutor e tio. Guardada como um brinquedo, a menina passa seus dias perambulando pelos corredores e inventando histórias que conta a si mesma, em uma rotina tediosa e desinteressante. Até que um dia Florence encontra a biblioteca proibida da mansão. E passa a devorar os livros em segredo. Mas existem mistérios naquela casa que jamais deveriam ser revelados. Quem eram seus pais? Por que Florence sonha sempre com uma misteriosa mulher ameaçando Giles, seu irmão caçula? O que esconde a Srta. Taylor? E por que o tio a proibiu de ler? Florence precisa reunir todas as pistas possíveis e encontrar respostas que ajudem a defender seu irmão e preservar sua paixão secreta pelos livros - únicos companheiros e confidentes - antes que alguém descubra quem ousou abrir as portas do mundo literário. Ou será que tudo isso não seria somente delírios de uma jovem com muita imaginação?


sábado, 12 de maio de 2012

Machado de Assis: Três Tesouros Perdidos

Três Tesouros Perdidos

Uma tarde, eram quatro horas, o sr. X… voltava à sua casa para jantar. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolé que estava parado à sua porta. Entrou, subiu a escada, penetra na sala e… dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição.
Cumprimentou-o polidamente; mas o homem lançou-se sobre ele e com uma voz alterada, diz-lhe:
— Senhor, eu sou F…, marido da senhora Dona E…
— Estimo muito conhecê-lo, responde o sr. X…; mas não tenho a honra de conhecer a senhora Dona E…
— Não a conhece! Não a conhece! … quer juntar a zombaria à infâmia?
— Senhor!…
E o sr. X… deu um passo para ele.
— Alto lá!
O sr. F… , tirando do bolso uma pistola, continuou:
— Ou o senhor há de deixar esta corte, ou vai morrer como um cão!
— Mas, senhor, disse o sr. X…, a quem a eloqüência do sr. F… tinha produzido um certo efeito, que motivo tem o senhor?…
— Que motivo! É boa! Pois não é um motivo andar o senhor fazendo a corte à minha mulher?
— A corte à sua mulher! não compreendo!
— Não compreende! oh! não me faça perder a estribeira.
— Creio que se engana…
— Enganar-me! É boa! … mas eu o vi… sair duas vezes de minha casa…
— Sua casa!
— No Andaraí… por uma porta secreta… Vamos! ou…
— Mas, senhor, há de ser outro, que se pareça comigo…
— Não; não; é o senhor mesmo… como escapar-me este ar de tolo que ressalta de toda a sua cara? Vamos, ou deixar a cidade, ou morrer… Escolha!
Era um dilema. O sr. X… compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola. Pois toda a sua paixão era ir a Minas, escolheu o cavalo.
Surgiu, porém, uma objeção.
— Mas, senhor, disse ele, os meus recursos…
— Os seus recursos! Ah! tudo previ… descanse… eu sou um marido previdente.
E tirando da algibeira da casaca uma linda carteira de couro da Rússia, diz-lhe:
— Aqui tem dois contos de réis para os gastos da viagem; vamos, parta! parta imediatamente. Para onde vai?
— Para Minas.
— Oh! a pátria do
fg(517,’Tiradentes’)
Tiradentes! Deus o leve a salvamento… Perdôo-lhe, mas não volte a esta corte… Boa viagem!
Dizendo isto, o sr. F… desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolé, que desapareceu em uma nuvem de poeira.
O sr. X… ficou por alguns instantes pensativo. Não podia acreditar nos seus olhos e ouvidos; pensava sonhar. Um engano trazia-lhe dois contos de réis, e a realização de um dos seus mais caros sonhos. Jantou tranqüilamente, e daí a uma hora partia para a terra de
fg(167,’Gonzaga’)
Gonzaga, deixando em sua casa apenas um moleque encarregado de instruir, pelo espaço de oito dias, aos seus amigos sobre o seu destino.
No dia seguinte, pelas onze horas da manhã, voltava o sr. F… para a sua chácara de Andaraí, pois tinha passado a noite fora.
Entrou, penetrou na sala, e indo deixar o chapéu sobre uma mesa, viu ali o seguinte bilhete:
“Meu caro esposo! Parto no paquete em companhia do teu amigo P… Vou para a Europa. Desculpa a má companhia, pois melhor não podia ser. — Tua E…”
Desesperado, fora de si, o sr. F… lança-se a um jornal que perto estava: o paquete tinha partido às oito horas.
— Era P… que eu acreditava meu amigo… Ah! maldição! Ao menos não percamos os dois contos! Tornou a meter-se no cabriolé e dirigiu-se à casa do sr. X…, subiu; apareceu o moleque.
— Teu senhor?
— Partiu para Minas.
O sr. F… desmaiou.
Quando deu acordo de si estava louco… louco varrido!
Hoje, quando alguém o visita, diz ele com um tom lastimoso:
— Perdi três tesouros a um tempo: uma mulher sem igual, um amigo a toda prova, e uma linda carteira cheia de encantadoras notas… que bem podiam aquecer-me as algibeiras!…
Neste último ponto, o doido tem razão, e parece ser um doido com juízo.
Machado de Assis
Conto originalmente publicado em A Marmota (1858)

Marcinh♥